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18 de Setembro de 2021
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    Embargos Culturais: Luto e melancolia em Sigmund Freud e o Direito

    Consultor Jurídico
    Publicado por Consultor Jurídico
    há 10 anos

    Luto e Melancolia é um texto de Sigmund Freud provavelmente redigido em 1915 e efetivamente publicado em 1917. Neste fragmento Freud explicita e diferencia essas duas instâncias, luto e melancolia, identificando a natureza patológica desta última. Tento no presente ensaio captar semelhanças e diferenças entre luto e melancolia no contexto deste importante excerto de Freud para, em seguida, dimensioná-las rapidamente no contexto normativo brasileiro presente, ainda que superficialmente. Vale o esforço do vínculo do freudismo com as ciências sociais aplicadas.

    Em linhas gerais, o luto é circunstância que acompanha a perda de um ente querido ou, de modo mais amplo, (...) à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante [1] . De acordo com Freud o luto não é condição patológica e também não exige tratamento médico [2] . O luto é circunstância superável, após algum tempo, pelo que Freud julgava inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele [3] .

    De tal modo, o luto é fato creio na maior parte dos entornos culturais que há. Significativamente seria creio também como regra, simbolizado pela cor negra. Há convergência entre o substantivo melanos , que em grego nos remete a negro , e a expressão melancolia , que matizaria um estado soturno da alma.

    No luto há a perda de um objeto (ainda que seja um sujeito, uma pessoa), enquanto que na melancolia tem-se, segundo Freud, a perda do próprio eu do sujeito. A melancolia tem natureza patológica, fraciona-se em diversas formas clínicas, inclusive no que se refere à mania, que seria seu polo oposto, de onde a bipolaridade, isto é, a oscilação entre a depressão e a euforia. Substancialmente, no luto a perda é consciente; na melancolia, a perda se processa no inconsciente [4] ; em outras palavras, no luto se sabe por quem e por que se chora, na melancolia, queixa-se da perda de não se sabe exatamente o que, e nem de quem. Os traços mentais distintivos da melancolia seriam, para Freud:

    (...) um desânimo profundamente penoso, a cessação do interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto-envilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição [5] .

    Por outro lado, pode-se encontrar no luto tudo o que se encontra na melancolia, com exceção do abalo de auto-estima, que se verifica nos quadros mel...

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